Leite Materno é de Graça?

Desmistificando a Amamentação

Minha mãe amamentou até os 18 meses, tenho certeza que ela tem orgulho disso. Minha tia não conseguiu amamentar minhas primas por muito tempo, mas ela tentou, fez de tudo, até chamar ajuda profissional de enfermeiras especializadas em casa, todos temos muito orgulho dela por isso.

Eu, na minha vez, também tive muita dificuldade. Cecília nasceu muito pequena, com 2.460g e primeiro não acordava para mamar, depois eu não conseguia ter posição para amamentar, já que meus seios eram grandes e ela esse cisquinho.

Todos os dias ouço histórias como essas no convívio com as mamães. Vejo a ansiedade gerada pela amamentação, sendo assim, quero falar sobre este assunto.

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Novas Idéias Sobre Amamentação

Adoro ver as conferências do TED, porque trazem idéias novas e esclarecedoras. Recomendo a apresentação da Cientista Katie Hind. Estudiosa do assunto, ela explica exatamente porque a amamentação é tão importante. Mas também tem um ponto de vista interessante que dá um alívio para as mulheres cansadas e pressionadas.

“Está na hora de abandonar soluções e slogans simples, e enfrentar as nuances. Eu tive muita sorte de esbarrar nessas nuances muito cedo, durante minha primeira entrevista com uma jornalista, quando ela me perguntou: “Quanto tempo uma mãe deve amamentar seu bebê?” E foi a palavra “deve” que me incomodou, porque eu nunca vou dizer a uma mulher o que ela deve fazer com seu corpo.”
É isso que tento dizer, a pressão para amamentar pode enlouquecer qualquer mãe em um momento que ela já está frágil. Então, vamos desmistificar….

Leite materno é importante?

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Sim, é super-hiper-mega importante!

Como pediatra, participo de Campanhas pelo Aleitamento Materno e realmente acredito que é o alimento completo, feito sob medida para o seu bebê. Ele protege contra doenças, forma a flora intestinal, é de fácil digestão, previne obesidade futura, alergias, além de fortalecer o vínculo entre a mãe e o bebê.

E é de graça! Perai, tem certeza que É de graça?

Se contarmos em reais, sim, mas concordo com a Dra Katie quando ela diz: “ Já ouviram aquela piada de que a amamentação é de graça? É muito engraçada, porque só é de graça se não valorizamos o tempo e a energia das mulheres.”

Eu acrescentaria o esforço. Qualquer mãe nos dias de hoje, que trabalha, se preocupa, toma conta de seu bebê, sabe das dificuldades de transformar o momento da amamentação em algo relaxante e prazeroso para ela e seu bebê.

Então, como lidar quando não está acontecendo exatamente como você sonhou, imaginou e planejou? Eu tenho certeza que seu instinto materno fará você tentar de tudo. Desde ajuda especializada até as dicas das palpiteiras.

O desespero é tanto que você come canjica, toma chás horrorosos, reza para Nossa Senhora do Leite Materno e até toma cerveja preta (o que é totalmente contra-indicado, visto que cerveja preta ainda é bebida alcoólica e no mínimo você terá que enfrentar a maternidade de ressaca)

E depois de tudo isso, você se vê louca!

Louca de tanta opinião alheia e louca pela sua própria consciência que está te cobrando ser uma mãe perfeita.

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Só que ninguém é perfeito, nem mesmo as mães

Tente não se cobrar e não julgue a si mesma, até porque eu sempre digo que 50% da amamentação vem de dentro da sua cabeça…e se ela estiver uma bagunça de nada adianta.

E como eu faço Dra. Helena?

– Em primeiro lugar tenha confiança que você vai conseguir.

– Escolha um lugar tranquilo, relaxe, torne o momento da amamentação calmo e de vocês dois e mais ninguém.

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– Não dê ouvidos aos palpites, mande as visitas embora e ouça apenas sua voz dizendo que irá conseguir.

– Consulte seu médico, procure ajuda se precisar, não é vergonha pedir ajuda.

E se tudo der errado??

Para mim, deu errado!!!

Foram vários motivos, que fizeram com que eu complementasse o leite materno com fórmula infantil.

No início foi bem difícil, eu me cobrei muito, o que me deixou muito triste. Mas, dei a volta por cima e aceitei que tinha feito de tudo que poderia. Sem neuras. Cecília hoje tem 2 anos e meio e é uma criança linda e saudável.

Se esse for o seu caso, confie no pediatra. Ele vai recomendar o tipo de leite e a quantidade necessária.

A complementação deve suprir várias funções e existem boas marcas no mercado, seu médico está apto para entender as diferenças e oferecer o que o seu bebê precisa.

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A mais importante lição que devemos tirar desse texto é:

Tente até o fim, mas, se der errado, não se culpe.

Lembre-se que você não está sozinha, no mínimo, EU te entendo e estou aqui para te apoiar e ajudar.

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Para ver a Palestra do TED da Cientista Katie Hinde, clique aqui. Está em inglês, mas você pode optar pela legenda em Português.